Black Billy

Thursday, June 29, 2006


Lorena: cariacica não sei por onde fica mas tenho o espírito santo entranhado em meu estômago

Jura secreta 9

não fosse o teu amor
o meu conforto
e eu teu anjo torto
como seria
se a jura secreta
não fosse mais que um poema
e se eu não te amasse
como glauber no cinema
o que tenho aqui
no corpo em transe
a quem daria?

artur gomes
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Wednesday, June 14, 2006

lavra palavra

a lavra da palavra quero
quando for pluma
mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
quando a lavra explora
se é saudade dói
mas não demora
e sendo fauna
linda como a flora
lua luanda
vem não vá embora
se for poema
fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora

artur gomes
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artur gomes, naiman, jiddu saldanha

13 de junho

nenhum ciúme cabe aqui
ouro de tolo
se a fruta é fresca
como chupo chupo e como

cariacica não sei por onde fica
mas sei do espírito santo
entranhado em meu estômago

artur gomes
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curimatã curumim

curimatã cunhã de sete flechas
comeu curumim pela boca
dentro da mata dentro

do rio da sua aldeia

e quando foi lua cheia
mergulhou em outro rio
engravidou em outro mar

artur gomes fulinaíma


artur gomes, naiman, jiddu saldanha

Um pai

A noite avança
E me azucrina
Ora a saudade do teu cheiro
Recente
Ora a compressa de eucalipto
Da minha menina que chora

Como são pequenas as coisas
Quando filha nossa dói
Tosse, tosse, tosse
A gente torce
Para dar certo
O último afago
Que a gente fez

Inda há pouco...

Agonia
Silencia
A noite linda
Que você me deu

José Kléber

Tuesday, June 06, 2006

Escrevo porque...

Eu tenho prazer em escrever porque quando escrevo palmilho minhas cavernas, meus ecos. Pacifico meus temores. Suavizo dores. Adormeço medos.

Escrever é dissipar nuvens, buscar o outro, fragilizar-se, fortalecer-se. É, ainda, contar épocas, reavaliar os passos, reafirmar idéias, expandir-se.

Eu tenho prazer em escrever porque preciso pavimentar os caminhos, abrir vias secundárias, transitar, ajustando-me ao meu próprio tempo.

Escrevo porque preciso cunhar definições para as coisas. Recuar no tempo. Avançar no tempo. Ser mirante, ser beiral. Dormir abrigando sonhos.

Quando escrevo, dou lugar às emoções, decifro olhares e desejos desassossegados. Escrevo para oferecer trilhas, tramas e rumores de liberdade.

Eu tenho prazer em escrever porque quando escrevo capto ruídos, segredos, desvarios... Devoro silêncios. Grito, canto, sofro. Jogo pedra nos telhados dos homens. Coloco a alma no barco, o barco na cena. O mar inteiro em uma linha.

Luciana Pessanha Pires
(2º lugar no concurso da Literis Editora)