Black Billy

Sunday, April 23, 2006

A Cor da Cultura

negros africanos
traficados
para lavourar
as fazendas de café
brincam
em volta de fogueiras

tambores
a noite inteira

canto querendo o
desvendar do ponto
e danças de umbigada

negro
batizado no eito
jongo, capoeira e maracatu
samba-de-roda
no tambor-de-crioula
na pernada
no lundu

há balaios de alqueires
e peneiras rasas de abanar
terra limpa e ciscada

os cafeeiros estão vermelhos
galhos
e tulhas
na fartura

a carga é de vergar

as bagas
transbordam
e lá se vai apanhação

nos caminhos dos cafezais
do alto das colinas
até às secadeiras
os grãos de café
às costas
nos cestos
de vime ou de bambú

ô negro
arruma a safra do dia
que amanhã
o café está bem seco
no terreiro
banhado de sol
e você volta a gingar

reis, ditadores, feitores
quem pode lhe segurar

levanta o grito
da cuíca e do berimbau
na pancada do ganzá.

(Luciana Pessanha Pires- 17/04/06- 23h)

1 Comments:

Blogger Luciana Pessanha Pires said...

Obrigada pela publicação do meu poema!
Uma graça esse canto. Beijo!

6:38 PM  

Post a Comment

<< Home