Black Billy

Sunday, April 23, 2006

Amapola marinha

Agora que fulguras desnuda na penumbra
e me roça o murmúrio de teu busto vibrante,
agora que tuas coxas são dois auriculares
pulsando em meus ouvidos como rios de música;

agora que em minhas têmporas sinto duas mordidas
e teu hálito me deixa no rosto uma tatuagem,
agora que tua blusa e tua saia flamejante
ferem minha mão ardente como ao dente, a fruta:

já desfolhada jazes, amapola marinha.
Pescador capturado, encalhado veleiro,
eu também jazo agora em tua areia amarela.

Em silêncio contemplo o templo do teu corpo,
me afano e me afino de ouvido e de tato
e ouço sob tua pele um canto gregoriano.

Alexandre Guarnieri

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